Muito legal, achei nas timelines da vida...
Esse texto brotou de uma conversa marota, na porta de uma empresa brasileira, no horário de almoço, onde eu passava meio que sem atenção, dirigindo-me ao meu carro.
A conversa entre os dois homens girava em torno, da evolução tecnológica, de seus benefícios e suas desvantagens.
O que me chamou a atenção é que exatamente, no momento em que passava escutei a seguinte frase: “Prefiro pipoca de panela”.
Como estudante de qualquer outro curso poderia pensar: - Gosto não se discute cada um tem o seu, mas como discente do curso de teologia, não poderia deixar a oportunidade de descrutar o inescrutável.
No instante, em que ouvi a frase acima descrita, senti um ar nostálgico, de quem queria buscar o passado, ou melhor, dizendo, buscar o bucolismo, talvez da infância, da adolescência, enfim de quem busca resgatar o ontem para acertar o hoje, tornando o amanhã realidade presente, decidi então refletir sobre “a pipoca de panela”.
Achei fantástico, a relação entre a pipoca de micro-ondas e a pipoca de panela, pois a pipoca de micro-ondas é pipoca que alimenta, mas não sustenta. É pipoca que não pode reivindicar seus direitos, que fica lacrada dentro de um pacote, que reprime e sufoca o seu direito de debater-se contra a situação que se encontra.
Diferente da pipoca de panela, que enquanto milho é visível, transparente, onde podemos avaliar suas qualidades, e escolhermos, decidirmos qual milho iremos levar.
Normalmente, em virtude de nossa escolha pelo melhor, ao colocarmos esses embriões em contato com a panela e o fogo, ele reclama, reivindica, grita contra a situação em que se encontra, ou seja, ele diz: - Se tenho qualidades porque sou provado no fogo?
Pipoca de micro-ondas tem um ritual muito simplório, e normalmente passa despercebido esse ritual: rasga-se uma embalagem e coloca-se dentro do aparato eletrônico outra embalagem, turva, incolor, neutra e depois de alguns minutos retira-se aquela embalagem, de dentro da boca infernal do micro-ondas, e aí sim é que vamos conhecer o que há dentro daquele pacote de aparência simplória e sem as vivas cores do seu original elemento embrionário.
No entanto o ritual da “pipoca de panela”, é fantástico, nesse ponto deixe-me levar pela nostalgia abscondida de minha lembrança: - volto na minha infância, posso lembrar-me de dona Noeme, com seu avental colorido, normalmente formado por retalhos ou restos de pano, com uma panela bem polida, em cima de um fogão esmaltado, uma lata de óleo na mão e relembro-me o grito fantástico, que ainda ressoa o seu eco em meus ouvidos: “Depressa traz o sal que eu me esqueci”.
O ritual da pipoca de panela não para por aí, passa pelo alegre barulho dos milhos, meio que reivindicando sua liberdade, explodindo na tampa, e essa por vez estremecia, meio que de medo, meio que de alegria, por ter ajudado a panela e os milhos a conseguirem o seu êxito de forma completa, a saber: - transformar aquela pequena quantidade de milhos, no fundo da panela, num milagre similar ao da multiplicação dos pães e peixes, realizado por Jesus de Nazaré.
Lembro-me também, do sacudir da panela, das batidas da colher na lateral da panela, para que os milhos preguiçosos fossem convidados, e acordassem, para participarem desse ritual bucólico e poético.
Do lado de fora da panela, era contagiante, dia de “pipoca de panela” era uma festa, toda casa era acordada de sua monotonia pelo barulho lindo das pipocas saltando dentro da panela, até os cães chegavam à porta, chamados pelas batidas da colher na lateral do vasilhame, vinham achando que era restos de comida, mas ao verem que era pipoca de panela, não iam embora, mas ficavam ali, pois sabiam que a alegria, a comunhão e o amor estavam presentes e queriam ainda que como cachorros desfrutar de tão glorioso momento.
Até o abacateiro, ficava mais bonito, os pardais e outros pássaros vinham ali repousar, pois sabiam que no final da bacia, havia o que eu chamo carinhosamente de piruás, aqueles milhos que apesar de infrutíferos serviriam ainda de alimento e festa para os espectadores do velho abacateiro, logo concluo: - Da “pipoca de panela nada é desperdiçado”.
O suprassumo do ritual da “pipoca de panela”, era a grande bacia no chão da sala, e todos do lar, envolta dela, isso proporcionava uma das coisas mais bonitas numa família, a união, a comunhão e a igualdade de direitos. Tudo bem que no início às mãos trombavam, e os olhares às vezes poderiam denotar rubor, mas com a partilha e a liberdade de desfrutar igualmente da bacia de pipoca, logo o sorriso e os causos brotavam dos lábios dos mais “experientes”, isso promovia o acerto da comunhão e da partilha do em torno da bacia, fazendo com que todos desfrutassem da pipoca sem se preocupar se estava comendo mais ou menos, o que valia era o doce gosto de ter saciado a alma. Prova maior de que pipoca de panela é partilha, comunhão amor é o exemplo do que era feito com o que sobrava na bacia, essa sobra saciava aquelas doces criaturas que ficavam na porta aguardando com suas orelhas em riste o assobio de papai, com um final lúdico de satisfação inimaginável, que promovia uma sensação de realização e comprometimento com a paz, a união e o amor.
Pipoca de micro-ondas é para um só, e quando é mais de um, fica a sensação de fome, de não ter saciado o desejo. Pipoca de micro-ondas é rápida, não tem um processo de construção e envolvimento, pipoca de micro-ondas não tem os restos para alimentar os que ficam de fora, ansiosos pelas migalhas, que na visão deles não são migalhas, mas sim um prato muito especial. Pipoca de micro-ondas apesar do calor, não chama os demais à porta para compartilhar da alegria e da comunhão, logo, pipoca de micro-ondas é egoísta, é vazia.
Talvez, esteja perguntando, e o que isso tem haver com Teologia? Com a vida do cristão? Resposta lógica e objetiva urge: nossa teologia, nossa atitude precisa ser como a “Pipoca de Panela”, precisamos como teólogos, resgatar o fim de tarde bucólico do Éden, onde Deus passeava por entre a criação e sentia o aroma suave da comunhão, da união e do amor, fato esse resgatado em Jesus de Nazaré, “o Novo Adão”.
Nossa teologia não pode ser pré-disposta, determinada, daquelas que já veem empacotadas, mas precisa ser escolhida, testada, apurada, refletida como os milhos que explodem na tampa, e dizem que são milhos e mesmo pressionados e provados no fogo, dão fruto e alimenta. Ela precisa ser feita com conhecimento de causa, precisa ser realizada ao pé de um velho fogão esmaltado, mas que ainda fumega e esquenta o avental colorido de uma vida aos pés da cruz de Cristo.
Que sejamos autênticos, como a “Pipoca de Panela”, trazendo em nossos meios e por onde transitarmos o bucolismo de Jesus Cristo, que promove a paz o amor e a união, tão procurada nesses últimos dias.
Despeço-me, pois estou com enorme desejo de saborear uma bela baciada de “pipoca de panela”.
O que me chamou a atenção é que exatamente, no momento em que passava escutei a seguinte frase: “Prefiro pipoca de panela”.
Como estudante de qualquer outro curso poderia pensar: - Gosto não se discute cada um tem o seu, mas como discente do curso de teologia, não poderia deixar a oportunidade de descrutar o inescrutável.
No instante, em que ouvi a frase acima descrita, senti um ar nostálgico, de quem queria buscar o passado, ou melhor, dizendo, buscar o bucolismo, talvez da infância, da adolescência, enfim de quem busca resgatar o ontem para acertar o hoje, tornando o amanhã realidade presente, decidi então refletir sobre “a pipoca de panela”.
Achei fantástico, a relação entre a pipoca de micro-ondas e a pipoca de panela, pois a pipoca de micro-ondas é pipoca que alimenta, mas não sustenta. É pipoca que não pode reivindicar seus direitos, que fica lacrada dentro de um pacote, que reprime e sufoca o seu direito de debater-se contra a situação que se encontra.
Diferente da pipoca de panela, que enquanto milho é visível, transparente, onde podemos avaliar suas qualidades, e escolhermos, decidirmos qual milho iremos levar.
Normalmente, em virtude de nossa escolha pelo melhor, ao colocarmos esses embriões em contato com a panela e o fogo, ele reclama, reivindica, grita contra a situação em que se encontra, ou seja, ele diz: - Se tenho qualidades porque sou provado no fogo?
Pipoca de micro-ondas tem um ritual muito simplório, e normalmente passa despercebido esse ritual: rasga-se uma embalagem e coloca-se dentro do aparato eletrônico outra embalagem, turva, incolor, neutra e depois de alguns minutos retira-se aquela embalagem, de dentro da boca infernal do micro-ondas, e aí sim é que vamos conhecer o que há dentro daquele pacote de aparência simplória e sem as vivas cores do seu original elemento embrionário.
No entanto o ritual da “pipoca de panela”, é fantástico, nesse ponto deixe-me levar pela nostalgia abscondida de minha lembrança: - volto na minha infância, posso lembrar-me de dona Noeme, com seu avental colorido, normalmente formado por retalhos ou restos de pano, com uma panela bem polida, em cima de um fogão esmaltado, uma lata de óleo na mão e relembro-me o grito fantástico, que ainda ressoa o seu eco em meus ouvidos: “Depressa traz o sal que eu me esqueci”.
O ritual da pipoca de panela não para por aí, passa pelo alegre barulho dos milhos, meio que reivindicando sua liberdade, explodindo na tampa, e essa por vez estremecia, meio que de medo, meio que de alegria, por ter ajudado a panela e os milhos a conseguirem o seu êxito de forma completa, a saber: - transformar aquela pequena quantidade de milhos, no fundo da panela, num milagre similar ao da multiplicação dos pães e peixes, realizado por Jesus de Nazaré.
Lembro-me também, do sacudir da panela, das batidas da colher na lateral da panela, para que os milhos preguiçosos fossem convidados, e acordassem, para participarem desse ritual bucólico e poético.
Do lado de fora da panela, era contagiante, dia de “pipoca de panela” era uma festa, toda casa era acordada de sua monotonia pelo barulho lindo das pipocas saltando dentro da panela, até os cães chegavam à porta, chamados pelas batidas da colher na lateral do vasilhame, vinham achando que era restos de comida, mas ao verem que era pipoca de panela, não iam embora, mas ficavam ali, pois sabiam que a alegria, a comunhão e o amor estavam presentes e queriam ainda que como cachorros desfrutar de tão glorioso momento.
Até o abacateiro, ficava mais bonito, os pardais e outros pássaros vinham ali repousar, pois sabiam que no final da bacia, havia o que eu chamo carinhosamente de piruás, aqueles milhos que apesar de infrutíferos serviriam ainda de alimento e festa para os espectadores do velho abacateiro, logo concluo: - Da “pipoca de panela nada é desperdiçado”.
O suprassumo do ritual da “pipoca de panela”, era a grande bacia no chão da sala, e todos do lar, envolta dela, isso proporcionava uma das coisas mais bonitas numa família, a união, a comunhão e a igualdade de direitos. Tudo bem que no início às mãos trombavam, e os olhares às vezes poderiam denotar rubor, mas com a partilha e a liberdade de desfrutar igualmente da bacia de pipoca, logo o sorriso e os causos brotavam dos lábios dos mais “experientes”, isso promovia o acerto da comunhão e da partilha do em torno da bacia, fazendo com que todos desfrutassem da pipoca sem se preocupar se estava comendo mais ou menos, o que valia era o doce gosto de ter saciado a alma. Prova maior de que pipoca de panela é partilha, comunhão amor é o exemplo do que era feito com o que sobrava na bacia, essa sobra saciava aquelas doces criaturas que ficavam na porta aguardando com suas orelhas em riste o assobio de papai, com um final lúdico de satisfação inimaginável, que promovia uma sensação de realização e comprometimento com a paz, a união e o amor.
Pipoca de micro-ondas é para um só, e quando é mais de um, fica a sensação de fome, de não ter saciado o desejo. Pipoca de micro-ondas é rápida, não tem um processo de construção e envolvimento, pipoca de micro-ondas não tem os restos para alimentar os que ficam de fora, ansiosos pelas migalhas, que na visão deles não são migalhas, mas sim um prato muito especial. Pipoca de micro-ondas apesar do calor, não chama os demais à porta para compartilhar da alegria e da comunhão, logo, pipoca de micro-ondas é egoísta, é vazia.
Talvez, esteja perguntando, e o que isso tem haver com Teologia? Com a vida do cristão? Resposta lógica e objetiva urge: nossa teologia, nossa atitude precisa ser como a “Pipoca de Panela”, precisamos como teólogos, resgatar o fim de tarde bucólico do Éden, onde Deus passeava por entre a criação e sentia o aroma suave da comunhão, da união e do amor, fato esse resgatado em Jesus de Nazaré, “o Novo Adão”.
Nossa teologia não pode ser pré-disposta, determinada, daquelas que já veem empacotadas, mas precisa ser escolhida, testada, apurada, refletida como os milhos que explodem na tampa, e dizem que são milhos e mesmo pressionados e provados no fogo, dão fruto e alimenta. Ela precisa ser feita com conhecimento de causa, precisa ser realizada ao pé de um velho fogão esmaltado, mas que ainda fumega e esquenta o avental colorido de uma vida aos pés da cruz de Cristo.
Que sejamos autênticos, como a “Pipoca de Panela”, trazendo em nossos meios e por onde transitarmos o bucolismo de Jesus Cristo, que promove a paz o amor e a união, tão procurada nesses últimos dias.
Despeço-me, pois estou com enorme desejo de saborear uma bela baciada de “pipoca de panela”.
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